domingo, 22 de julho de 2012

Uma Ausência


Sinto-me, sem sentir, todo abrasado
No rigoroso fogo que me alenta;
O mal que me consome, me sustenta,
O bem que me entretém, me dá cuidado.

Ando sem me mover, falo calado,
o que mais perto vejo se me ausenta,
e o que estou sem ver, mais me atormenta;
Alegro-me de ver-me atormentado.

Choro no mesmo ponto em que me rio,
no mor risco me anima a confiança,
do que menos se espera estou mais certo.

Mas, se de confiado desconfio,
é porque, entre os receios da mudança,
ando perdido em mim como em deserto.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Aprendendo a Respirar


Olá, bom dia, como você vai?
O que faz seu Sol nascente tão novo?
Eu poderia usar de um novo começo também,
Todos os meus arrependimentos não são nada novos.
Então este é o jeito que eu digo que preciso de Ti.
Este é o jeito que eu estou aprendendo a respirar.
Aprendendo a engatinhar.
Estou descobrindo que você e só você pode acabar com a minha queda .
Estou vivendo novamente, animada e viva.
Estou morrendo pra respirar nesses céus abundantes
Olá, bom dia, como você esteve?
Ontem fez minha cabeça começar a pensar,
Eu nunca, nunca pensei que
Eu cairia desse jeito.
Nunca soube que eu poderia me ferir tão gravemente.
Estou aprendendo a respirar,
Aprendendo a engatinhar.
Esse é o jeito que eu digo que eu preciso de você

domingo, 1 de julho de 2012

Fechando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistimos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando
capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que sentem-se culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com
cartas marcadas, portanto as vezes ganhamos, e as vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o está apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do momento ideal.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, não voltará. Lembre-se que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.